Fórum

Quedas: o que fazer e como prevenir

Todos os anos, o cenário repete-se. As contas são da Comissão Europeia e confirmam que entre 28% e 35% das pessoas com 65 ou mais anos caem, principalmente em ambiente doméstico. Dos Estados Unidos da América, mais precisamente do Centro para o Controlo e Prevenção de Doenças, chegam outros números, não menos preocupantes: um em cada três idosos sofre uma queda a cada ano. Números que permitem confirmar que este é um problema de saúde pública. E que tem muitas consequências. Ao todo, entre 20 a 30% das quedas causam ferimentos que podem ir dos mais ligeiros aos severos. Tanto que, depois da queda, cerca de 20% dos idosos morrem dentro de um ano, resultado de complicações associadas a uma fratura da anca. E, também aqui, são os mais velhos os que mais sofrem, com os dados a confirmarem que a taxa de mortalidade associada às quedas nos idosos com mais de 80 anos é seis vezes superior à verificada nos que têm entre 65 e 79 anos.

As consequências do cair, que resulta muitas vezes do simples envelhecimento ou de problemas associados a doenças (redução do equilíbrio, uso de medicação, entre outros), assim como dos muitos obstáculos que se colocam a quem vê a sua mobilidade mais reduzida por força da idade, e isto seja fora ou dentro de casa, onde resto acontece a maior parte das quedas, podem ser imediatas para os idosos. Redução da qualidade de vida, aumento da ansiedade ou depressão são alguns dos resultados das quedas, às quais se juntam uma diminuição da atividade, fruto do receio de voltar a cair, uma redução do contacto social, uma maior dependência de terceiros e até mesmo limitações físicas a longo prazo. Mas há outros. Há custos para os serviços de saúde, que resultam dos gastos avultados em tratamento e reabilitação ou do elevado número de idosos colocados em lares após uma queda, e há também custos para a economia, associados a uma perda de produtividade, seja de quem cai ou dos que deste passam a ter que cuidar.

O que fazer

Quando a queda acontece, esta pode danificar diferentes estruturas do corpo, causando lesões que, como foi referido atrás, são mesmo capazes de ter um desfecho fatal, levando à morte. Por isso, todo o cuidado é pouco e o primeiro passo deve ser sempre o mesmo: manter a calma.

De acordo com o Serviço Nacional de Saúde britânico, a ajuda começa por uma avaliação do estado da vítima, aqui sem pressas de lhe mexer. Tente perceber se o idoso responde quando questionado e, no caso de isso não acontecer, verifique se está a respirar. Se a resposta for negativa, há que dar início às manobras de reanimação ou ligar de imediato para os serviços de emergência médica (112).

Se a pessoa estiver desperta e a responder quando é questionada, a ideia é continuar a falar com ela e procurar saber em que circunstâncias se deu a queda, para tentar também pôr de lado o risco de outros problemas de saúde ou de uma doença súbita.

Tentar perceber se há dor e onde esta é localizada, observando a existência de lesões mais óbvias, como cortes, feridas, equimoses ou hematomas é o passo seguinte.

No caso de a queda ter acontecido a partir de uma altura (de umas escadas, por exemplo) ou se existir a possibilidade de uma lesão no pescoço ou na coluna, há que manter a vítima o mais imobilizada possível e, na eventualidade de perda de sangue, aplicar pressão sobre a ferida.

Se não existirem lesões visíveis ou queixas mais graves, deve-se ajudar, de uma forma calma e lenta, a pessoa a sentar-se e observar a existências de eventuais sinais de dor, desconforto ou tonturas, descartando aqui a possibilidade de uma qualquer lesão que tenha passado despercebida a uma observação inicial. E, claro, manter a atenção, pelo menos durante 24 horas, a qualquer sinal de problemas.

Prevenção, o melhor remédio

Prevenir é, também aqui, o melhor remédio. E se é verdade que, independentemente do cuidado e atenção, as quedas podem acontecer, também é um facto que há formas simples de reduzir o risco, sobretudo em casa. Aqui, a iluminação é essencial, sendo importante também a existência de uma luz de presença, capaz de servir de auxílio aos mais idosos sobretudo durante a noite. E importante é também ter atenção aos tapetes, aos fios dos eletrodomésticos soltos e até aos móveis, nos quais os idosos (e não só) podem tropeçar. Na casa de banho, um tapete antiderrapante é o ideal e, em todas as divisões, há que tornar os objetos de uso mais comum de acesso facilitado.

Tecnologia ao serviço da saúde

Há outras formas de evitar as consequências mais graves das quedas. Formas mais sofisticadas, cortesia da tecnologia que, também aqui, pode melhorar a vida dos idosos. São, por isso, cada vez mais os ‘wearables’, o mesmo é dizer, pequenos aparelhos que se podem usar, seja em formato de relógio ou pulseiras, e que são capazes de detetar a queda e emitir um alerta de ajuda, cuja importância aumenta no caso dos idosos que vivem sozinhos ou que passam grande parte do sem companhia. Aqui juntam-se os aparelhos que, colocados em casa, ajudam também a identificar as situações de queda.

Atenta ao impacto deste problema, a Comissão Europeia tem disponibilizado fundos para o desenvolvimento de diferentes tecnologias. E tem feito mais. No âmbito da Parceria Europeia de Inovação, tem apoiado agentes públicos e privados em toda a União Europeia, através de campanhas de informação que visam promover a consciencialização dos idosos e das suas famílias, desmistificando a ideia de que as quedas são inevitáveis e reforçando a necessidade de uma aposta na prevenção.

Prevenção essa que tem merecido uma atenção redobrada, centrada na promoção de estilos de vida mais saudáveis, que passam pelas regras básicas que todos já conhecem, mas que nunca é demais recordar, como não fumar, moderar o consumo de bebidas alcoólicas, ter atenção à alimentação ou não descurar a prática de exercício físico que, até nos idosos, só traz vantagens. Atenção que passa também pela criação de métodos de rastreio, capazes de identificar os indivíduos que apresentam um maior risco de quedas e que podem beneficiar de uma intervenção e apoio mais personalizados.

 

Related Posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *