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Desafio: mobilizar um doente acamado

É um desafio e um desafio que pode ter consequências para a saúde do cuidador. Falamos da mobilização do doente, do levantar, baixar, empurrar ou puxar aqueles que, sozinhos, não o conseguem fazer. Seja uma ou mais vezes por dia, esta é uma situação que exige muito de quem cuida, podendo dar origem a lesões, mais ou menos graves, relacionadas não só com a força que é feita, com a repetição dos gestos, resultado da realização de um mesmo movimento vezes sem conta ou ainda com a posição incorreta, assumida por quem faz esse esforço. É por isso que é importante ter em atenção que existem técnicas de mobilização e transferência dos doentes que tornam mais fácil a tarefa, protegendo quem a faz, mas também quem dela beneficia.

São três as categorias de mobilização dos doentes, que estão dependentes da forma como esta é feita, informa a Agência Europeia para a Segurança no Trabalho, que reforça o alerta para os cuidadores.

– Existem os métodos de transferência manual, que são feitos com recurso à força muscular dos cuidadores;

– Os métodos que se socorrem de pequenos meios auxiliares, como lençóis deslizantes, uma barra de trapézio fixada por cima da cama, entre outros;

– E ainda os métodos de transferência que utilizam grandes equipamentos de elevação eletromecânicos.

 

Para a escolha, são vários os fatores aqui implicados, que podem estar relacionados com o nível de exigência do doente (se for, por exemplo, um tetraplégico ou uma pessoa de idade acamada pode exigir muito mais e obrigar ao uso de uma elevação mecânica), com o tamanho e o peso do doente (que pode ser demasiado pesado para que o cuidador o consiga mobilizar sem outras ajudas), ou ainda com a capacidade e a vontade de cooperação do doente.

Mas há, no entanto, situações em que não se pode fugir à mobilização manual. Nestes casos, há formas mais corretas de posicionar o doente. E que ajudam o cuidador.

Na hora de levantar:

– Não há necessidade de ter pressa. Pelo contrário, esta é uma tarefa que deve ser feita de forma calma.

– Atenção à roupa da cama, que deve estar sempre bem esticada e livre de vincos.

– É importante confirmar que não há obstáculos no caminho, que podem dar origem a quedas ou favorecer desequilíbrios.

– Antes de levantar o doente, este deve ser sentado, para confirmar que não sofre de tonturas.

– O cuidador deve manter-se junto do doente, a quem deve ser pedida cooperação, dizendo-lhe o que se quer que ele faça, isto no caso de este estar consciente. O incentivo à cooperação beneficia quem tem que realizar a tarefa, uma vez que a torna mais fácil, mas ajuda também o doente, promovendo a sua capacidade de cuidador de si mesmo.

– Para evitar deslocar articulações, há que evitar puxar o doente pelos braços, preferindo segurá-lo pelos ombros.

– É importante que todos façam o esforço ao mesmo tempo, pelo que é indicado que contem até três, para que haja coordenação de movimentos.

– Se por acaso o doente começar a cair, o mais importante não é contrariar a queda, mas acompanhá-la, de forma o mais suave possível, protegendo a cabeça para evitar que bata no chão.

Como ajudar a sentá-lo na cama:

– É importante elevar a cabeceira da cama (por exemplo, com recurso a almofadas) e manter essa mesma elevação o tempo que ela for necessária.

– O cuidador deve estar virado para o doente, colocando um dos joelhos sobre a cama e sentar-se sobre o mesmo, devendo o doente aproveitar este apoio para se sentar.

– Depois, mantendo uma das mãos nas costas do doente, devem puxar-se os joelhos para fora da cama, para que fique com as pernas pendentes. Para que o doente fique com os pés no chão, o cuidador deve arrastá-lo com cuidado.

Da cama para uma cadeira:

Se o objetivo for passa-lo para uma cadeira, depois deste passo o cuidador deve:

– abraçar o doente, segurando-o por trás, para que não se volte a deitar;

– pedir, no caso de este ser cooperante, para que agarre com as suas mãos o pescoço do cuidador.

– levantar o doente, rodando ao mesmo tempo o seu corpo, em direção à cadeira, deixando-o cair lentamente sobre o assento.

Para sair da cadeira:

Para levantar o doente de uma cadeira de rodas:

– o primeiro passo é confirmar sempre que esta está travada;

– depois, orientar o doente para a beira da cadeira, com os pés bem assentes no chão;

– o cuidador deve estar em frente do doente e segurá-lo pela cintura, ajudando-o desta forma a passar para o local onde se quer que fique.

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